Cooperativa no Amapá inicia exportação de açaí com certificado de manejo

Cerca de 80 produtores de açaí das comunidades do arquipélago do Bailique, distante 160 quilômetros de Macapá, iniciaram nesta sexta-feira (21) a exportação de 20 toneladas de açaí certificado, que qualifica a produção.

A certificação vai proporcionar maior espaço para os produtores no mercado internacional, de acordo com a Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique (ACTB).

A produção do açaí é trabalhada há aproximadamente 4 anos para promover melhorias na qualidade e quantidade da produção de açaí nessas áreas, considerando os riscos socioambientais, destacou o presidente da ACTB, Geová Alves. Com isso, os produtores terão maior participação nos lucros com a venda do produto, segundo ele.

“Conseguimos fazer a certificação dos produtos, montando a cooperativa com parcerias para buscar novos mercados. Essa carga vai abastecer o mercado local, mas podemos exportar para o mercado nacional e internacional, respeitando os padrões e participando mais dos lucros”, ressaltou.

A cooperativa recebeu, em dezembro de 2016, do Conselho de Manejo Florestal (FSC – Forest Stewardship Council) o certificado de manejo da floresta que incentiva a regularização fundiária, a segurança do trabalhador com uso de proteção individual e garante a atuação florestal.

O selo foi concedido porque o açaí do Bailique corresponde às características exigidas pelo Conselho de Manejo Florestal, atendendo aos padrões do FSC, com benefícios sociais e viabilidade econômica. Este é o selo mais conhecido do mundo no segmento.

Os produtores participaram de oficinas de boas práticas no manejo de açaizais. A iniciativa foi do Protocolo Comunitário do Bailique, que busca articular a gestão territorial e conservação da biodiversidade. As atividades foram promovidas com o apoio técnico da Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (OELA) e do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA).

O diretor de investimentos da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, José Molinos, argumenta que a iniciativa irá trazer ganhos para a economia amapaense, com a maior valorização do açaí no mercado internacional.

“Além da valorização do ribeirinho, a certificação do açaí, um produto em crescimento no mercado internacional, trará ganhos para o Amapá, colocando na vitrine do mercado. Paga-se mais nesse processo, mas o produto final é feito com requisitos legais de um açaizal com certificado de manejo florestal”, destacou.

O presidente da Organização das Cooperativas do Amapá, Gilcimar Pureza, destaca que além da venda para o mercado, a ideia de produção de usar o açaí como fonte nutricional em diversos alimentos está sendo trabalhada pelos produtores.

“Uma ideia que já é praticada no Sudeste do país, com a mistura em diversos alimentos, vamos trabalhar diretamente no Amapá, A ideia é produzir super alimentos, misturar reforço nutricional, da mesma forma como se já e feito em outros estados. Pensamos em processar nossos produtos com biotecnologia, com um lucro maior chegando ao nosso mercado e aos ribeirinhos”, destacou.

Fonte: G1 AP/Macapá

Deixe um Comentário