Gestão é o principal problema das cooperativas do Amazonas

Afirmação é do técnico agrícola e administrador Estevam Costa, que carrega mais de 30 anos de experiência no setor

MANOEL MARQUES
Especial para o Portal Coopnews

Um dos principais entraves para o desenvolvimento das cooperativas no Estado do Amazonas é a gestão. Falta profissionalismo dos dirigentes que têm boa vontade, mas não possuem qualificação. A avaliação é do técnico agrícola e administrador Estevam Ferreira da Costa, que atuou por mais de 30 anos em programas de extensão rural em órgãos do governo como ACAR-Amazonas e Emater e, também, como dirigente de associações, sindicatos e cooperativas agrícolas no Estado.

Estevam, que fez parte da primeira turma da extensão rural, formada para trabalhar o cooperativismo no Amazonas na década de 1970, também foi presidente do Sistema OCB-AM (Organização das Cooperativas do Brasil) de 1994 a 2001, e segundo ele, durante a sua gestão implantou no Amazonas o Sescoop-AM (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), integrante do Sistema Nacional do Cooperativismo, criado pela necessidade de trabalhar a capacitação profissional das cooperativas e de seus cooperados.

Ele lembra que naquela época o cooperativismo agrícola era muito forte e, que por muito pouco, não comprou a Fitejuta, uma empresa de beneficiamento de fibras. Depois, por falta de uma melhor qualificação profissional dos cooperados e ausência do apoio governamental, veio à quebradeira e o cooperativismo do Amazonas estagnou.

Sistema

De acordo com Estevam, o cooperativismo é um sistema. “Se quiser crescer tem de estar preparado. As dificuldades são grandes e por isso tem de focar nos seus objetivos e se unir, exercitando principalmente a intercooperação em todos os seus 13 ramos de negócios. As cooperativas precisam parar de ficar esperando pelas iniciativas e ações do governo. Assim, a expectativa pode ser frustrante. A OCB não é um sindicato das cooperativas e sim, um órgão consultivo do governo”, ressalta.

Perda de produção

Há uma informação de que as cooperativas agrícolas estão perdendo 50% da sua produção por falta de apoio para escoamento e venda de seus produtos, ou seja, metade de tudo que é produzido vai para o lixo. Para Estevam isso é reflexo da ineficácia de gestão. “É preciso profissionalizar a gestão e ter conhecimento legal. O pessoal precisa ser melhor qualificado. Eles sabem que a produção tem tempo de validade. Mamão não é coco, não é tucumã. Então tudo tem de ser muito bem planejado quanto a colheita, o manuseio, o transporte e a venda”.

Segundo Estevam, hoje o Estado não possui uma estatística confiável da real situação do cooperativismo agrícola do Amazonas. “Por Lei, as cooperativas são obrigadas a apresentar um balanço anual de suas atividades, mas isso, muitas vezes não é feito. As cooperativas deveriam se juntar e formar uma rede de informação, criando uma base de dados para orientar as suas atividades. Além disso, elas podem também promover eventos festivos e comemorativos para manter o espírito cooperativista em foco”, sugere.

Frencoop

A Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) é muito importante na avaliação de Estevam, por se tratar do braço político, onde podem ser discutidas, analisadas e aprovadas propostas e medidas que beneficiem o cooperativismo como um todo. “Mas é necessário que os dirigentes das cooperativas levem suas demandas para os parlamentares e, assim, possam tomar posições mais contundentes”, alerta.

Cooperativismo

Para Estevam, no Amazonas não existe cooperativismo conforme preconiza esse segmento de negócios. “Pelo que se observa aqui cada um cuida do seu. Onde está o ‘ismo’ que embasa o princípio da economia solidária?”, indaga.

Com relação à cota-parte que é paga às cooperativas por seus cooperados, Estevam argumenta que isso varia de acordo com o tipo de segmento de negócio, mas ressalta que não é pela cota-parte que a cooperativa ganha e, sim, pela sua produção.

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