Banco Central ganha R$ 5,1 bilhões com ações no câmbio em janeiro

O Banco Central (BC) registrou um ganho de R$ 5,116 bilhões com as operações de swap cambial em janeiro, ante uma perda de R$ 16,769 bilhões no primeiro mês do ano passado. Em fevereiro, até o dia 3, o resultado era negativo em R$ 5 milhões.

Em 2016, o resultado das operações feitas para dar proteção e liquidez ao mercado foi positivo em R$ 75,562 bilhões, após perda de R$ 89,657 bilhões em 2015.

O swap cambial é um derivativo que relaciona as variações na taxa de câmbio com a taxa de juros em um determinado período. De forma simplificada, o BC é ganhador quando o dólar cai e perdedor quando a moeda americana sobe ante o real.

Os swaps não são feitos para o BC ter ganhos ou perdas, mas são uma forma de oferecer proteção cambial ao mercado e de prover liquidez em momentos de instabilidade, preservando as reservas internacionais.

O estoque, que já chegou a superar os US$ 100 bilhões, está hoje na linha dos US$ 26 bilhões. O mercado aguarda a movimentação do BC depois que o presidente da autarquia, Ilan Goldfajn, deixou em aberto a possibilidade de fazer a rolagem parcial dos contratos que vencem em março. A fala de Ilan trouxe um novo risco ao mercado, pois até então a autoridade monetária vinha fazendo rolagens integrais mesmo na ausência de grandes episódios de volatilidade.

Os ganhos e perdas com as operações de swap têm impacto no gasto de juro do governo. Os ganhos registrados no ano passado ajudaram a reduzir a conta de juros, que caiu 8,36% do Produto Interno Bruto (PIB) ou algo como R$ 500 bilhões, para 6,5% do PIB em 2016, ou R$ 407 bilhões.

O menor gasto com juro também explicou a redução do déficit nominal, apesar do aumento do déficit primário do governo. Em 2015, o déficit nominal somou 10,22% do PIB, patamar recorde. No ano passado, o déficit caiu a 8,93%, mesmo com um déficit primário de 2,47%, maior que o 1,85% do PIB registrado em 2015.

No lado das reservas internacionais, a perda acumulada em janeiro foi de R$ 49,763 bilhões e soma R$ 2,274 bilhões em fevereiro até o dia 3. Em 2016, a o resultado negativo contábil foi de R$ 324,123 bilhões. No ano anterior, com a alta do dólar, o ganho de variação cambial com as reservas havia sido de R$ 260 bilhões.

Ao contrário dos swaps, as variações das reservas não têm impacto fiscal imediato. Quando o BC ganha com as reservas, repassa o dinheiro para a Conta Única do Tesouro e, por determinação legal, esses proventos só podem ser utilizados para o pagamento de dívida. Quando há perdas, quem é ressarcido é o BC via emissão de títulos. Essa conta a acertar entre BC e Tesouro fechou 2016 na casa dos R$ 250 bilhões e será liquidada ao longo deste ano.

No âmbito na Agenda BC+ — que contém medidas para a simplificação do sistema, educação financeira e outros itens —, Ilan já disse que vai rever essa forma de relacionamento com o Tesouro para reduzir a volatilidade das transferências entre os dois órgãos.

Fonte: Valor

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