Carnaval nos grandes centros do País gera emprego e renda em outras regiões

O carnaval deve movimentar R$ 5,8 bilhões na economia nacional em 2017. Apesar da concentração de turistas em alguns destinos tradicionais da folia, como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife, a maior festa popular do País, que neste ano vai de 25 a 28 de fevereiro, espalha seus benefícios para outras regiões do Brasil. Em Parintins (AM), cidade conhecida pelo festival onde as grandes estrelas são os Bois Caprichoso e Garantido, que acontece todo mês de junho, é uma importante fonte de mão de obra para os desfiles das escolas de samba de outros estados.

A experiência dos artistas plásticos nas apresentações onde os dois bois se confrontam, faz com que muitos sejam contratados pelas agremiações do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os profissionais ficam em torno de cinco meses no Sudeste preparando os carros alegóricos e fantasias que passarão pelos sambódromos. É o caso de Aguinaldo Souza, que há quase 15 anos atua nos desfiles paulistas. “Como várias equipes vem para cá ao longo dos anos, um amigo me convidou para trabalhar como escultor”, recorda.

Por mais de uma década, o trabalho foi na escola Leandro de Itaquera. Atualmente, Aguinaldo coordena uma equipe com outros 20 moradores de Parintins na Acadêmicos de Tatuapé. “O que levamos daqui movimenta um pouco da economia da nossa cidade, porque é muita gente. Todas as escolas têm uma faixa de 10 a 15 pessoas de lá. O pessoal conta que quando a gente vem para cá, a ilha sobe um pouco. Quando a turma volta, ela desce”, brinca fazendo referência ao município de pouco mais de 112 mil habitantes, localizado a 369 quilômetros de Manaus e que é cercado por rios.

No entanto, o trabalho para o artista começa antes de desembarcar em São Paulo, quando o carnavalesco envia os desenhos dos carros alegóricos. Aguinaldo começa a fazer o planejamento de quantos e quais profissionais vai necessitar. O passo seguinte é fazer as maquetes em isopor. “O carnavalesco faz o desenho, a gente pega a medida dos chassis e começa a colocar tudo no isopor, em cima de uma escala. Depois a gente vê o que cabe, qual a posição das esculturas, altura e proporção”, detalha.

Com o projeto feito, a resina, a tinta, o tecido, o isopor, o ferro, a madeira, a fibra de vidro e tantos outros materiais começam a ser trabalhados. O carnavalesco Flávio Campello revela que o orçamento da Acadêmicos de Tatuapé para este carnaval foi de R$ 5 milhões. “A escola, além das captações por subvenção, seja de órgão público ou privado, ainda consegue ir atrás de outras possibilidades para acrescentar neste montante”, conta.

Boa parte desse recurso é investido em compras de fornecedores da capital paulista. “Ano após ano a gente vai se aperfeiçoando nesta matemática do carnaval, conseguimos calcular quanto de ferro, bloco de isopor e quanto vai gastar. Então vamos direto aos fornecedores: siderúrgicas, fábricas, tudo em São Paulo”, prossegue Campello.

O material é trabalhado primeiro na estrutura de ferro, depois revestido com madeira e tecido, outras peças são feitas no isopor e depois reproduzidas na fibra de vidro. “Aí tem uma parte que é fibra de vidro e uma que é isopor. Só que quando junta e faz o acabamento parece que é uma coisa só”, detalha Aguinaldo.

A Acadêmicos de Tatuapé conta com 480 profissionais trabalhando na execução do projeto do carnaval entre o ateliê e o galpão na Fábrica do Samba, local que passará a abrigar todas as agremiações paulistas e que atualmente recebe sete escolas. O espaço de 77 mil m² no bairro da Barra Funda receberá um investimento total de R$ 40 milhões do Ministério do Turismo, sendo que R$ 27,4 milhões já foram repassados. A estrutura fica a pouco mais de um quilômetro do sambódromo, o que facilita o transporte dos carros e evita acidentes.

Tudo para fortalecer o carnaval da cidade e preservar o trabalho de artistas como Aguinaldo, que depende das festas populares para manter o sustento da família. “Eu não tenho outro ramo de trabalho, vivo da minha arte. Venho aqui para o carnaval, termino aqui e vou para o Boi, termina lá e venho para cá de novo. Tem uns festivais lá perto que a gente também faz, são de uma proporção menor, mas é daí que a gente vai tirando a renda”, finaliza.

Fonte: Agência de Notícias do Turismo

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