Vendas do comércio em 2016 têm pior resultado desde 2001, aponta IBGE

O volume de vendas no varejo restrito caiu 2,1% em dezembro na comparação com novembro, já descontados os efeitos sazonais, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se da maior queda para meses de dezembro desde o início da série histórica da pesquisa, em 2001. Na comparação com dezembro de 2015, o varejo restrito dimuinuiu 4,9%.

Com o resultado, o comércio restrito teve queda de 6,2% em 2016, o pior ano da série histórica. No ano passado, o restrito recuou 4,3%.

O resultado de dezembro ante novembro veio pior que a média estimada pelo Valor Data, apurada junto a 24 economistas e instituições financeiras, de recuo de 1,8%. O intervalo das estimativas ia de alta de 0,7% até queda de 3,1%. A queda ante dezembro de 2015 foi maior que a retração de 4,5% estimada pelos economistas.

O IBGE também informou que a receita nominal do varejo restrito caiu 2,1% em dezembro ante novembro, feito o ajuste sazonal. Na comparação com dezembro de 2015, a receita nominal do varejo restrito teve alta de 2%.

Em 2016, no acumulado do ano, a receita nominal do comércio subiu 4,5%.

Ampliado

No varejo ampliado, que inclui as vendas de veículos e motos, partes e peças, e material de construção, o volume de vendas caiu 0,1% em dezembro na comparação com novembro, já descontados os efeitos sazonais. Os analistas esperavam queda de 0,6%.

Na comparação com dezembro de 2015, o volume de vendas do varejo ampliado diminuiu 6,7%.

Em 2016, as vendas do varejo ampliado caíram 8,7%, também pior resultado da série da pesquisa, esta iniciada em 2004. Em 2015, o varejo ampliado recuou 8,6% e, em 2014, caiu 1,7%.

A receita nominal do varejo ampliado recuou 0,3% em dezembro ante novembro. Em relação a dezembro de 2015, a receita cai 1,2%. No ano, recua 0,7%.

Queda generalizada

O tombo de 6,2% nas vendas do varejo restrito no ano passado, em relação a 2015, foi acompanhado por todos os oito segmentos analisados. No ampliado, automóveis e material de construção também fecharam 2016 no vermelho. A queda de 8,7% no ampliado também foi a maior da série, neste caso, iniciada em 2004.

As vendas no setor de supermercados e alimentos caíram 3,1% em 2016, resultado mais fraco desde 2003, quando a retração havia sido de 4,8%. Essa é a atividade mais importante do comércio, responde por quase metade do varejo restrito.

Além dos supermercados, as atividades que mais se destacaram, em termos de contribuição para o resultado global em 2016, foram Móveis e eletrodomésticos (-12,6%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-9,5%); Combustíveis e lubrificantes (-9,2%); Tecidos, vestuário e calçados (-10,9%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-2,1%); Equipamentos e material de escritório, informática e comunicação (-12,3%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-16,1%).

Incluindo as vendas de automóveis e material de construção, o chamado varejo ampliado, o tombo foi ainda maior. A queda de 8,7% em 2016, na comparação com o ano anterior, também foi o pior resultado da série histórica, esta iniciada em 2004.

De acordo com o IBGE, o resultado reflete, sobretudo, o comportamento das vendas de Veículos, motos, partes e peças (-14,0%) e de Material de construção (-10,7%). “Os fatores que justificam este desempenho são a diminuição do ritmo de financiamentos, a elevação da taxa de juros e a restrição orçamentária das famílias”, apontou a pesquisa.

Fonte: Valor

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