Empresas de hospedagem para pets se consolidam no mercado

O segmento de hospedagem domiciliar para animais de estimação começa a se consolidar no Brasil com a predominância de dois players fundados em 2014: as empresas DogHero e Pet Anjo. Com a oferta de serviços especializados para pets, elas já receberam R$ 13 milhões em aportes desde 2015.

Criado por Fernando Gadotti e Eduardo Baer, o aplicativo DogHero recebeu investimentos de R$ 10 milhões dos grupos Monashees Capital e Kaszek Ventures no fim de 2016. No ano anterior, já tinha atraído um aporte de R$ 2 milhões feito pela Kaszek – investidora do grupo desde então.

Baer afirma que vai utilizar os recursos arrecadados em mais tecnologia, planos de marketing e ampliação da equipe. Hoje, o escritório da DogHero na Vila Mariana, em São Paulo, conta com 28 funcionários.

Expansão

O plano da DogHero, que já atua em 500 cidades, é expandir sua atuação. O sistema tem mais de 100 mil cães registrados e atualmente conta com 10 mil anfitriões cadastrados. A previsão é que esse número aumente para 20 mil até 2018, diz Baer.

“O DogHero vem para atender uma demanda de mercado que existe por falta de oferta especializada. Num prazo de três anos, pretendemos oferecer em nossa plataforma cinco anfitriões num raio de 2 km”, adianta. De acordo com ele, um dos motivos para a expansão recente é a satisfação dos clientes em relação a segurança e bem-estar dos pets.

Ampliar os serviços de hospedagem para outros animais, como gatos, também é um dos caminhos para o crescimento. Atualmente, os felinos representam apenas 5% do total de registros.

Para se tornar um anfitrião é preciso fazer uma prova online e um cadastro no sistema. Após esta etapa, as respostas e informações preenchidas pelo “herói” passarão pela análise de algum membro da DogHero, antes de hospedar um animal pela primeira vez. O preço da diária a ser cobrada pela estadia é estabelecido por quem acolhe o pet. O aplicativo fica com 25% desse valor.

A veterinária Sandra Moura, de São Paulo, decidiu aderir à ideia como anfitriã logo no começo do negócio. Formada em veterinária, ela recebe cães em sua casa todos os fins de semana desde então. Cobrando cerca de R$ 65 a diária, Sandra hoje se dedica profissionalmente a essa atividade.

“Mais de 50 hóspedes já passaram por aqui. Fez uma diferença total na minha renda familiar, posso dizer que isso me ajudou a obter uma independência econômica”, diz.

A avaliação dos donos dos cães é importante para o “herói” se manter no sistema DogHero. Além disso, o aplicativo fornece uma garantia no valor de R$ 5 mil caso haja alguma emergência veterinária durante a estadia.

Os serviços da DogHero são semelhantes aos da PetHub, uma das pioneiras no Brasil em hospedagem domiciliar para pets. Em setembro de 2016, a PetHub foi incorporada à Pet Anjo, que oferece outros tipos de serviço além da hospedagem, como cursos de especialização.

Formação

No primeiro semestre de 2016, a Pet Anjo recebeu um aporte de R$ 1 milhão de investidores, entre eles a aceleradora de negócios Ace. A empresa, com sede na região da Av. Paulista, em São Paulo, conta hoje com 15 funcionários internos. Atualmente a plataforma conta com mil “anjos” cadastrados.

Entre os conteúdos abordados durante a formação oferecida pela Pet Anjo estão fundamentos do comportamento animal e primeiros socorros em situações emergenciais.Não existe custo para as pessoas que querem fazer o curso de hospedagem. Em cursos como Pet Sitter e Dog Walker, a inscrição custa R$ 110,00.

O candidato a “anjo” tem de assistir 120 horas de aulas para se formar. Para completar o processo, o aluno deve obter 75% de acerto em todas as avaliações feitas ao final de cada módulo.

Após a prestação do serviço, o tutor do animal recebe um relatório feito pelo “anjo”, com vídeos e fotos de seu pet durante a estadia.

A faixa de preço sugerida para a diária é de R$ 25 a R$ 120. O percentual da Pet Anjo é de 30% sobre o valor recebido pelo “anjo”. Segundo a fundadora da iniciativa, Carol Rocha, para entrar na equipe a pessoa precisa ter boas avaliações e aplicar aquilo que aprendeu durante o curso de formação. “Somos a única empresa brasileira com certificação internacional (Pet Sitters International, dos EUA). Focamos na educação continuada da nossa equipe” afirma.

A psicóloga Ana Elisa Sestini, de São Paulo, começou a se dedicar aos pets em setembro de 2016. Prestando serviços de Pet Sitter, Dog Walker e hospedagem, ela já recebeu oito cães em sua casa, com diárias de cerca de R$ 70 pela estadia. “O retorno que tenho é bom, mas ainda não posso viver só disso. No meu caso, não tenho uma rotina estabelecida, é um trabalho sazonal”, afirma.

 

Fonte: DCI

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