Pousada no Amazonas se destaca com a realização de ações sustentáveis

Quando a lancha acelera no porto de Tefé rumo à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, onde fica a Pousada Flutuante do Uacari, começa a imersão na magia da Amazônia. No lugar dos problemas e ruídos da cidade grande, a tranquila rotina das comunidades ribeirinhas que usam o barco para vender o que cultivam; o verde denso da floresta; o rio, tranquilo ou não, cheio ou não, dependendo da época do ano; e a variedade de animais silvestres ao alcance do olhar.

Uma hora e meia depois de percorrer o Rio Solimões e se encher de curiosidade sobre a região, avista-se a cor tijolo das telhas feitas com garrafa pet da Pousada Uacari. E, aos poucos, os cinco bangalôs e a recepção de madeira ganham forma. Presa às margens por cordas, a estrutura flutua graças às leves madeiras de Assacú, compradas de comunidades que fazem manejo na reserva. Ali, a água da chuva é aproveitada, os dejetos tratados; e sol fornece energia.

A experiência se torna ainda mais incrível pela convivência com os moradores da região. Orientados pelo Programa de Turismo de Base Comunitária do Mamirauá, previsto em plano de negócios, o hotel é atendido hoje pelo Instituto Mamirauá e pela Associação dos Auxiliares e Guias de Ecoturismo do Mamirauá (Aagemam), composta por seis comunidades ribeirinhas. A ideia é que os locais assumam totalmente o empreendimento até 2022.

O somatório das ações sustentáveis — com as comunidades e com o meio ambiente — fizeram a Pousada Uacari ganhar o Prêmio TOP Sustentabilidade da Braztoa em 2015. O Ministério do Turismo foi parceiro do prêmio. “Desenvolver o turismo de forma sustentável é fundamental para o setor. A relação harmoniosa com o meio ambiente a comunidade local e o destino é essencial para nos mantermos à frente de um processo que beneficia a todos”, disse a coordenadora-geral de Turismo Responsável do Ministério, Isabel Barnasque, jurada do prêmio.

Conheça um pouco mais do empreendimento e da região:

Onde fica

600 km de Manaus

1h30 de lancha de Tefé

No Médio Solimões

Na área de várzea entre os rios Solimões e Japurá

Ao sul da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Mamirauá (1,1 milhão de hectares)

O município mais próximo: Alvarães

História

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Mamirauá foi criada pelo cientista Márcio Ayres, no início da década de 1990, a fim de proteger a espécie do macaco Uacari e conciliar a preservação do meio ambiente com a rotina das comunidades riberinhas. Quase uma década depois, em 2001, a pousada passou a ser um ponto de ecoturismo e a gerar renda extra aos locais.

Desde a criação, a pousada registrou um crescente na quantidade de turistas. Mas com o fechamento temporário do aeroporto de Tefé, principal porta de entrada para a reserva, em 2006, o empreendimento passou por períodos de baixa. “Em 2008 vencemos o edital do Ministério do Turismo que nos ajudou a modernizar o site e a divulgar a Uacari em feiras do setor. Voltamos ao circuito turístico”, relatou o técnico em gestão participativa do Instituto Mamirauá, Pedro Nassar.

O recorde de turistas na pousada – composto 70% de estrangeiros – foi registrada em 2015: mil pessoas se hospedaram no hotel durante todo o ano.

Social

Conversa é a palavra mais usada pelos representantes do Instituto Mamirauá e pelos locais para descrever o processo de implantação do Projeto de Base Comunitária do Mamirauá. “A nossa vida era viver em casa, da pesca e da agricultura. E aí começaram as reuniões mostrando como a gente poderia trabalhar com turismo. Aos poucos perdemos o medo”, contou a tesoureira da Aagemam e substituta de gerente da pousada, Deusenir de Oliveira Martins.

Na prática, funciona assim: os locais interessados em trabalhar na pousada se inscrevem junto à Aagemam para o cargo que querem ocupar (camareiro, copeiro, guia ou cozinheiro). O escritório do Instituto, em Tefé, responsável por receber as reservas dos hóspedes, informa à Aagemam quantos profissionais de cada área são necessários para atender aos turistas e pedem à associação. O sistema é de rodízio, ou seja, ficam de 10 a 15 dias na pousada até serem substituídos por outras equipes.

O desafio da pousada é transferir 100% da gestão do empreendimento para as comunidades locais até 2022. “As burocracias e capacitação ficam por conta do escritório do instituto, em Tefé. Mas os serviços de campo já são todos feitos pelos locais”, explicou Pedro Nassar.

Além do turismo, a pousada ajuda as comunidades locais dividindo os “excedentes”. A taxa ambiental paga pelos turistas que chegam à reserva é colocada num fundo e, ao fim do ano, é dividida entre as comunidades locais e à associação.

Fonte: Agência de Notícias do Turismo

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